Promotoria dispensou depoimento de cinco testemunhas. Exame de balística prova autoria do crime, segundo advogado de acusação.


Durante a primeira audiência do crime em que cinco mulheres foram estupradas e duas delas mortas em fevereiro deste ano na cidade de Queimadas, na Paraíba, foram ouvidas 11 das 16 testemunhas de acusação. Segundo a gerente do Fórum da cidade, Débora Vicente, a promotoria considerou que as outras cinco pessas não interessariam à acusação porque eram muito próximas aos acusados. A audiência só terminou às 17h e uma nova data, 18 de junho, foi marcada pra que os acusados e as testemunhas de defesa sejam interrogadas.

A juíza Flávia Baptista Rocha começou a ouvir testemunhas, vítimas e os adolescentes envolvidos às 9h desta segunda-feira (4) no Fórum da cidade. Os acusados não foram ao Fórum nesta segunda por recomendação da direção do Complexo Penitenciário de Segurança Máxima Romeu Gonçalves de Abrantes, PB1 e PB2, onde estão detidos. A direção orientou que eles não fossem retirados do presídio por causa da rebelião no local na semana passada.
Entre as pessoas que foram ouvidas estão as mulheres que foram estupradas e os adolescentes acusados de participar do crime. Essa primeira audiência foi de instrução e os adultos acusados só participarão da próxima, quando serão ouvidos. Nas duas audiências serão avaliados laudos e provas das participações de cada acusado. Depois da qualificação dos réus, a juíza decide se os eles serão levados à Júri Popular ou não.
Todos os depoimentos serão filmados para agilizar a captação das informações. Segundo o promotor, depois que essa fase for concluída, o próximo passo do processo é o julgamento. O promotor também acredita que Eduardo vá a júri popular. Todos os outros acusados serão julgados pela juíza Flávia Baptista, segundo ele.
Três adolescentes suspeitos são levados para abrigo provisório (Foto: Reprodução/TV Paraíba) 
Três adolescentes suspeitos prestaram depoimento
nesta segunda
Durante a audiência, o advogado de acusação Félix Araújo apresentou o exame de balística durante a audiência a fim de provar a culpa dos acusados. "O exame comprova que os tiros que atingiram e mataram as meninas saíram mesmo da arma que foi encontrada com Eduardo dos Santos Pereira. É uma prova cabal do envolvimento deles no caso", disse. Ainda segundo ele, os adolescentes envolvidos confessaram a versão da polícia. Ele acredita que Eduardo, acusado de planejar a ação, será levado a júri popular.

Acusação
Conforme as investigações da Polícia Civil e a denúncia feita pelo Ministério Público da Paraíba, cinco mulheres foram estupradas e duas delas assassinadas durante uma festa. Para a polícia, os estupros teriam sido planejado pelos irmãos Luciano e Eduardo dos Santos Pereira, que teriam convidado amigos para abusar sexualmente de mulheres convidadas de uma festa promovida por eles.
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Os irmãos teriam simulado a chegada de assaltantes na casa e usado máscaras e capuzes para não serem reconhecidos. Duas das vítimas teriam conseguido ver as pessoas que as violentavam e por isso foram tiradas da casa e executadas.
Os dez rapazes estão sendo acusados por estupro, cárcere privado, lesão corporal, formação de quadrilha. Eduardo, no entanto, está sendo acusado isoladamente também por duplo homicídio e posse ilegal de arma.
Os adolescentes podem passar até três anos internados no Lar do Garoto, em Lagoa Seca, mas a cada seis meses poderão ser reavaliados. Dependendo do comportamento dos menores de idade, o tempo de internação pode ser reduzido.
Isabela Pajussara e Michelle Domingos foram violentadas e assassinadas (Foto: Reprodução/TV Paraíba) 
Isabela e Michelle foram violentadas e
assassinadas
O crime
No dia 12 de fevereiro de 2012 duas mulheres foram assassinadas na cidade de Queimadas, no Agreste da Paraiba. Segundo a Polícia Militar, elas estariam em uma festa de aniversário em uma casa com dez homens e outras três mulheres. Os homens são acusados de estupras as cinco e matar duas delas. As mortes teriam acontecido porque as vítimas reconheceram os criminosos. Uma delas foi morta com quatro tiros em uma rua central da cidade e a outra foi assassinada com três tiros na estrada para Campina Grande.