Velório do ex-governador na noite deste sábado no Parque do Povo. Ronaldo Cunha Lima morreu neste sábado, vítima de câncer de pulmão.


Senador Cássio Cunha Lima durante velório de Ronaldo Cunha Lima, em João Pessoa (Foto: Walter Paparazzo/G1) 
Senador Cássio Cunha Lima durante velório de
Ronaldo Cunha Lima, em João Pessoa

O corpo de Ronaldo Cunha Lima saiu por volta das 18h15 para a cidade de Campina Grande, no Agreste paraibano, onde será velado durante toda noite desta sábado (7) no Parque do Povo. Em João Pessoa, o corpo velório aconteceu durante toda a tarde no Palácio da Redenção em João Pessoa, onde recebeu homenagem de amigos, políticos e familiares. O enterro acontece no domingo (8) no Cemitério Monte Santo às 16h, em Campina Grande.

O ex-governador da Paraíba morreu às 9h35 deste sábado (7), aos 76 anos, casa da família. Ele lutava contra um câncer no pulmão desde 2011.
Segundo o filho do ex-governador e senador, Cássio Cunha Lima, nas últimas 48 horas, Ronaldo estava sendo sedado. “Ele agonizou muito, mas durante todo esse período se mostrou conformado”, disse. Um dos médicos da família que acompanhavam Ronaldo confirmou que ele sofreu uma insuficiência respiratória e morreu às 9h35.
Ronaldo Cunha Lima morreu aos 76 anos (Foto: Leonardo Silva/Jornal da Paraíba) 
Ronaldo Cunha Lima morreu aos 76 anos

Antes do velório que ocorreu em João Pessoa, quem também falou foi Renato Cunha Lima, um dos irmãos de Ronaldo. Ele disse que na quinta-feira (5) conversou com o irmão e os dois relembraram momentos da infância. “Falei que era para ele não se preocupar, porque a história dele era orgulho para família e que o exemplo dele tinha ficado para toda história”, disse Renato.
Os prefeitos de João Pessoa, Luciano Agra, e de Campina Grande, Veneziano Vital, decretaram luto de três dias. Assim como a Assembleia Legislativa. O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), emitiu nota lamentando a morte do ex-governador e também decretou luto oficial de três dias.

Ronaldo José da Cunha Lima nasceu na cidade de Guarabira, Brejo paraibano, em 18 de março de 1936. Formado em Ciências Jurídicas, ele era casado com Maria da Glória Rodrigues da Cunha Lima e tinha quatro filhos: Ronaldo Cunha Lima Filho, Cássio Cunha Lima, Glauce Cunha Lima e Savigny Cunha Lima.
Carreira política
Sua história política teve como palco principal a cidade de Campina Grande. Aos 23 anos ingressou na vida pública quando foi eleito vereador. Foram quase 50 anos de carreira política até a renúncia do mandato de deputado federal em 2007, último cargo público que exerceu. Ronaldo deixou o senador Cássio Cunha Lima, seu filho, como principal sucessor na política.
Ronaldo na posse como governador da Paraíba (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco) 
Ronaldo toma posse como governador da Paraíba

Ronaldo já assumiu cargos no legislativo e no executivo: foi deputado estadual por dois mandatos e em 1969 se elegeu prefeito de Campina Grande, mas teve seu mandato cassado pela ditadura militar. Em 1982 ele foi novamente eleito prefeito da cidade, pelo PMDB, e assumiu o cargo em 1983. No ano de 1990 foi eleito governador da Paraíba, cargo que deixou em 1994 para concorrer ao Senado Federal. Foi senador e em 2002 foi eleito deputado federal. Com problemas de saúde desde 1999, quando sofreu um acidente vascular cerebral, Ronaldo ainda ficou alguns anos na vida pública e deixou o Câmara Federal em 2007, quando exercia o segundo mandato.

A eleição de 1990 foi marcante na trajetória política de Ronaldo. Ele foi derrotado no primeiro turno por Wilson Braga, que já havia governado o estado, mas no segundo turno virou o jogo e venceu com uma diferença superior a 100 mil votos.
Ronaldo chegou a ser detido para prestar esclarecimentos sobre tiro contra Tarcísio Burity (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco) 
Ronaldo chegou a ser detido para prestar
esclarecimentos sobre tiro contra Tarcísio Burity
Em função de um processo judicial por tentativa de homicídio contra seu adversário político Tarcísio Burity, Ronaldo renunciou, em 2007, à cadeira na Câmara Federal para escapar de julgamento no Supremo Tribunal Federal. Na época ele fez uma manobra para dispensar o foro privilegiado, na carta-renúncia ele diz que queria ”ser julgado como cidadão comum
O atentado contra Burity foi em 1993 e ficou conhecido como 'Caso Gulliver', nome do restaurante onde aconteceu o crime. O então governador Ronaldo Cunha Lima deu três tiros no seu antecessor, supostamente motivado por críticas que este teria feito a Cássio Cunha Lima, que era superintendente da Sudene. Burity sobreviveu e morreu dez anos depois vítimas de complicações cardíacas.
Ronaldo Cunha Lima no lançamento do seu livro 'Eu nas Entrelinhas', em 2004 (Foto: Arquivo/Jornal da Paraíba) 
Ronaldo Cunha Lima no lançamento do seu livro
'Eu nas Entrelinhas', em 2004
Conhecido como “Poeta”, Ronaldo Cunha Lima também fez carreira como escritor e teve sua trajetória no cenário cultural imortalizada quando assumiu a cadeira de número 14 na Academia Paraibana de Letras em 1994. “A paixão dele pela poesia surgiu quando ele era criança. Isto porque o avô já era um exímio soletrista”, disse o jornalista Nonato Guedes, autor do livro “A Fala do Poder - Discursos comentados de governadores da Paraíba”.

Uma de suas principais paixões de Ronaldo na Literatura era a poesia do também paraibano Augusto dos Anjos, tanto que em 1988 participou e venceu o programa Sem Limite, da Rede Manchete, que fazia perguntas sobre a vida e obra de Augusto dos Anjos. O presidente da APL lamenta o fato de Ronaldo Cunha Lima ter enveredado pelo ramo da política. “É uma pena que o fascínio da política tenha exercido grande poder sobre a vocação do poeta”, disse Gonzaga Rodrigues.