"Salvei o Brasil de José Dirceu", diz Roberto Jefferson após deixar hospital


Roberto Jefferson deixa o hospital Samaritano, no Rio, onde faz tratamento contra um câncer no pâncreas O ex-deputado federal Roberto Jefferson, 59, afirmou neste domingo (5), após deixar o hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, onde faz tratamento contra um câncer no pâncreas, que salvou o Brasil do ex-ministro José Dirceu, apontado por ele e pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, como o mentor do mensalão.
“A minha luta era com o Zé Dirceu. Ele me derrubou, mas eu salvei o Brasil dele. Ele não foi, não é e não será presidente do Brasil. Caímos os dois”, disse Jefferson, que é presidente nacional do PTB, em entrevista coletiva. Ele mais uma vez isentou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de participação no mensalão.
Dirceu pediu demissão da Casa Civil em meio ao escândalo e teve o mandato de deputado federal cassado em dezembro de 2005, por quebra de decoro parlamentar. Ele responde por formação de quadrilha e corrupção ativa.
Em sua defesa, o ex-ministro nega ter comprado apoio de parlamentares. Seus advogados dizem ainda que sequer há evidências que comprovem a existência do mensalão. Segundo a defesa de Dirceu, ele afirma que se desligou das atividades do PT após assumir o cargo de ministro-chefe da Casa Civil.
A defesa diz ainda que Delúbio Soares não agiu sob sua orientação, pois teria autonomia para atuar na legenda. Por fim, os advogados do ex-ministro afirmam que Dirceu não tinha proximidade com Marcos Valério nem interferência sobre as ações do publicitário.

Julgamento do mensalão

Foto 112 de 130 - 3.ago.2012 - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, lê de seu tablet a acusação no segundo dia do julgamento do caso do mensalão, no Supremo Tribunal Federal (STF). A acusação pode levar até cinco horas, por isso houve uma pausa no meio tarde
O petebista elogiou a atuação do procurador-geral ao apresentar a denúncia, na última sexta-feira (3), no STF (Supremo Tribunal Federal), e chamou o julgamento do mensalão de “festa democrática”.

Infográfico

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Questionado sobre a consistência das provas apresentadas por Gurgel contra Dirceu, Jefferson afirmou não ter condições de avaliá-las. “Meu octógono de luta com ele já exauriu. Agora a luta é de vocês (jornalistas), da opinião pública e dos ministros (do Supremo).”
O ex-deputado mostrou-se otimista quanto ao tratamento do câncer. “Recebi [o diagnóstico de câncer] com serenidade. Sou um guerreiro. Já peitei o PT sozinho, o que eu não vou fazer com um cancerzinho de pâncreas?”, ironizou.

Mensalão

Roberto Jefferson é réu no processo do mensalão e foi o delator do esquema, que se tornou público após entrevista dele à jornalista Renata Lo Prete, da “Folha de S. Paulo”, em junho de 2005. O termo mensalão ganhou popularidade após a entrevista, na qual Jefferson afirmou que o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, pagava uma mesada a parlamentares para que eles votassem projetos do governo.
O presidente do PTB admite ter recebido R$ 4 milhões do valerioduto e afirma que o dinheiro foi usado para pagar dívidas eleitorais do PTB.
O julgamento do mensalão no STF começou na última quinta-feira (2), data em que os ministros votaram contra o pedido de desmembramento do processo, o que impediu que 35 réus sem foro privilegiado fossem julgados em tribunais regionais.
Na sexta, Gurgel fez a leitura da peça de acusação e pediu a prisão imediata de 34 réus após a condenação. O julgamento será retomado amanhã (6), com as alegações dos advogados de defesa dos réus.

Foto 10 de 16 - 3.ago.2012 - "Era uma sofisticada organização criminosa com o objetivo espúrio de comprar votos de parlamentares", disse ainda o procurador-geral Roberto Gurgel ao ler a acusação contra os réus do mensalão.