Laudo tem 53 fotos, resultado de exame de DNA e será usado pela polícia Executivo da Yoki foi morto em casa em maio. Esposa é assassina confessa.

 Laudo mostra versão de Elize para crime (Laudo mostra versão de Elize para crime (Laudo mostra versão de Elize para crime (Laudo mostra versão de Elize para crime (Editoria de Arte/G1))))

O laudo da reprodução simulada da morte do empresário e ex-diretor executivo da Yoki Marcos Kitano Matsunaga foi concluído pelo Instituto de Criminalística (IC) na quinta-feira (16) e será encaminhado nesta semana ao Ministério Público (MP). O documento tem 78 páginas e foi obtido com exclusividade pelo G1.

O laudo apresenta a versão contada por Elize Araújo Kitano Matsunaga aos peritos durante a reconstituição do crime
O documento também traz uma descrição do apartamento do casal e exames de DNA de amostras de sangue colhidas no local. Um dos capítulos é dedicado somente às fotografias nas quais Elize mostra o que afirma ter ocorrido na noite de 19 de maio. Ela confessou ter atingido o empresário com um tiro e esquartejado o corpo com uma faca.

O corpo de Marcos Matsunaga foi encontrado, em pedaços, às margens de uma estrada em Cotia, na Grande São Paulo. No início de junho, sua mulher, Elize, confessou o crime à polícia.

A bacharel em direito está presa pelo crime. Ela foi denunciada pelo MP e aguarda a audiência de instrução na Justiça, na qual será decidido se ela irá a júri popular por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.
O laudo do Insitituto de Criminalística será anexado ao processo. Ele será confrontado durante um eventual julgamento com as demais provas. Ele não será a única fonte de informação para juiz e jurados. Advogados e a promotoria também usarão testemunhos e outros pareceres produzidos pela polícia durante a investigação. O principal é o laudo do Instituto Médico-Legal (IML), divulgado em 16 de junho, que aponta que Marcos morreu asfixiado e foi decapitado ainda vivo.
Reconstituição do crime
No documento sobre a reconstituição, os peritos afirmam que, segundo a versão de Elize, o tiro que atingiu Marcos ocorreu a 1,94 m de distância. O laudo afirma que essa distância é plausível. Ainda de acordo com o laudo, exames técnicos e de DNA comprovaram que o sangue encontrado no apartamento é mesmo da vítima.
A distância do tiro e o momento da morte de Marcos são pontos divergentes em relação ao laudo do Instituto Médico Legal (IML) que examinou o corpo do empresário.
Cronologia do Caso Yoki - 21 agosto 1v (Foto: Arte/G1)
A reprodução simulada foi feita por peritos do Núcleo de Perícias em Crimes contra a Pessoa do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Técnico-Científica em 6 de junho, baseada na versão apresentada por Elize.
O laudo está dividido em três partes (descrição do local; reprodução simulada; e dos exames) com um anexo (desenho esquemático da cena do crime). Ele trata somente dos fatos que ocorreram desde o momento em que o casal discutiu em 19 de maio, quando a bacharel revelou ao empresário que descobriu a traição dele, até o dia seguinte, quando ela deixa o apartamento triplex com as malas onde estavam as partes do corpo. Na reprodução, um policial interpretou Marcos.
As fotos mostram a mulher indicando como usou uma pistola, calibre .380, para atingir Marcos, e depois como utilizou uma faca de cozinha para esquartejá-lo e colocar os pedaços em três malas.
ReconstituiçãoNo capítulo dedicado ao local do crime, 31 páginas descrevem cada cômodo da residência. As 26 páginas da reprodução simulada mostram como foi o crime a partir do relato de Elize e com a participação de um policial.
A primeira foto retrata a bacharel comendo pizza ao lado do empresário na mesa da sala de jantar. Nas demais, Elize conta a Marcos que soube que contratou um detetive particular que descobriu que o marido a traía com uma garota de programa. Em seguida, relata que MArcos, “enraivecido”, se levanta, bate com as mãos na mesa e grita que o dinheiro usado para pagar o profissional que o seguiu era dele.
As imagens dos peritos ainda registram o momento em que a mulher diz ter retrucado e o empresário a agrediu fisicamente lhe dando um tapa na cara. Elize falou que nunca havia apanhado do marido e nem do próprio pai. Então, ela saiu do local e foi até o bar enquanto Marcos continuou gritando na sala de jantar, segundo conta a ré.
No bar, Elize vai até uma cômoda atrás do balcão, onde havia uma pistola. Na casa, havia 33 armas que integravam a coleção do casal. Nas fotos da perícia, Elize usa um simulacro de arma. Ela, então, conta que pegou a pistola e seguiu até a copa enquanto o marido permanecia gritando na sala de jantar. Depois, a mulher diz ter percebido que ele ia em sua direção em um corredor entre a sala de jantar e a copa.
Elize afirma que, quando ficam frente a frente, ela estava com a arma na mão e Marcos a desafiava a disparar, dizendo que ela não tinha coragem de atirar nele. Nesse momento, ela disse aos policiais que o marido falava com “ódio e raiva nos olhos” que iria se separar dela, interná-la e ficar com a filha do casal. Foi a partir desse instante que a bacharel atirou sem mirar, segundo seu relato durante a reprodução.
Divergência na distânciaEm seguida, ela afirma que viu Marcos cair de costas, ficando com a barriga para cima no corredor. Medição feita pelos peritos indica que a distância entre a boca do cano da arma e o empresário foi de 1,94 metro no momento do disparo.

Essa medição, no entanto, diverge de uma informação que não consta neste laudo, mas já havia sido dita pelo perito do Instituto Médico-Legal (IML), que examinou o corpo da vítima, de que o tiro havia sido dado a curta distância e de cima para baixo. A conclusão havia sido do legista Jorge Pereira de Oliveira, que, no seu entendimento informou que Elize estaria em pé e Marcos abaixado. O tiro teria sido à queima-roupa, segundo análise do IML, que constatou queimadura nas margens do ferimento.

As fotos do laudo do IC mostram Elize caminhar entre a copa, cozinha e a sala de jantar. Depois ela vai ao bar, passando perto do marido, que segundo ela já estava morto. Essa informação também diverge da análise do IML, que afirmou que Marcos ainda continuava vivo após ter sido baleado na cabeça e que morreu asfixiado quando teve o pescoço cortado com uma faca por Elize. Para o IML, a vítima morreu por traumatismo craniano, causado por bala, e asfixia respiratória provocada por sangue aspirado devido à decapitação.
Ainda segundo o registrado no laudo, ela conta que deixou a arma usada para atirar em Marcos no corredor e foi até o bar. Depois, conta que pegou o telefone para ligar para a Polícia Militar para relatar o que havia ocorrido, mas desistiu. Ela diz que pegou a arma novamente e foi até o escritório do casal, deslocando um espelho embutido na sala de armas. Lá, ela conta que pegou um cano sobressalente e o trocou com o que havia sido usado na pistola do crime. Ela, então, guarda a arma em uma caixa e vai até a lavanderia.
Em seguida, Elize diz que pegou pano, produtos de limpeza e um balde para limpar o piso onde havia marcas de sangue do marido. Ela também resolve guardar o corpo, arrastando-o. Marcos pesava pouco mais de 70 quilos. Na simulação, um boneco foi usado no lugar do corpo de Marcos. Durante o trajeto, a mulher para algumas vezes para descansar. Em seguida, deixa o empresário no quarto de hóspedes.
No dia seguinte, ela relata que retornou ao quarto com o intuito de segmentar o corpo do empresário após a chegada da babá. Elize conta que, enquanto a funcionária fica brincando com a filha do casal em um andar, ela pegou uma faca e começou a cortar o corpo primeiramente pelos joelhos, depois membros superiores esquerdo e direito, abdômen e, por fim, o pescoço.
Ela colocou as partes dentro de sacos plásticos e as dividiu em três malas. Depois começa a limpar o quarto de hóspedes. Posteriormente, leva as malas pelo corredor, lavanderia e vai até o elevador de serviço do apartamento. Desce até o estacionamento e as coloca no carro.
O que não é simulado no laudo é o momento em que Elize pega o carro e começa a jogar partes do corpo de Marcos em uma estrada de terra sem movimento na região de Cotia.

O G1 não conseguiu localizar o promotor José Carlos Cosenzo nesta terça-feira (21) para comentar a conclusão do laudo da reconstituição. Para o Ministério Público, responsável por denunciar a mulher à Justiça pelo assassinato, a versão da ré de que ela só atirou no marido após ter sido agredida fisicamente e verbalmente não se sustenta. Em entrevistas anteriores o promotor havia dito que a bacharel matou o empresário para poder ficar com o dinheiro dele.
A equipe de reportagem também não encontrou o advogado Luciano Santoro, que defende Elize, para falar sobre o documento da reprodução simulada.

J1/G1