UTI do hospital não tinha escala médica completa, diz CRM. Este ano, pelo menos outras 13 unidades de saúde foram interditadas.

UTI do Clementino Fraga não vai mais receber pacientes (Foto: Divulgação/CRM-PB)O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) interditou eticamente - impedindo os médicos de trabalharem - a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual Clementino Fraga, referência no tratamento de doenças infecto contagiosas, no inicio da tarde desta quarta-feira (27). A partir da meia-noite desta quarta-feira (28), o setor não poderá mais receber pacientes para tratamento intensivo. O motivo da interdição é a falta de escala médica completa.

Este ano, outras 17 unidades de saúde da Paraíba foram interditadas pelo CRM. Desde 2008, foram 114. A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou, via nota, que, assim que tomou conhecimento sobre o assunto, o secretário Waldson Dias de Souza ligou para o pessoal do CRM com o objetivo de resolver a situação. Todas as providências estão sendo tomadas por parte da SES para que a população não seja prejudicada e para que o funcionamento da UTI prossiga normalmente. A SES também esclareceu que os pacientes que já se encontram na UTI continuarão recebendo toda a assistência necessária.

De acordo com o diretor do Departamento de Fiscalização do CRM, Eurípedes Mendonça, dos seis leitos disponíveis na unidade, cinco estão ocupados. “Os pacientes que estão no momento internados na UTI continuam recebendo atendimento médico intensivo. Porém, não serão admitidos novos internos”, explicou Eurípedes Mendonça, destacando que no momento da inspeção não havia médico de plantão, confirmando a denúncia recebida pela entidade.

O conselheiro do CRM disse que o motivo para a falta de médicos na UTI do hospital é o fim do contrato entre cooperativas médicas e o Governo do Estado. Segundo ele,  o prazo final para negociação venceu no dia 25 de março e como não houve acordo, a prestação de serviço da cooperativa foi encerrada. “Estamos aguardando uma solução para desinterditar a unidade. Assim que a escala for preenchida, a UTI será liberada”, ressaltou.

Eurípedes Mendonça explicou que durante o período de interdição ética os pacientes do hospital que necessitarem de tratamento intensivo devem ser encaminhados, através da diretoria técnica da unidade hospitalar, para outro hospital que ofereça o serviço. “O CRM, em hipótese alguma, quer causar qualquer dano para paciente. Esta medida é para preservar a saúde do usuário da UTI, que sem atendimento médico regular, pode ser prejudicada”, disse o diretor de Fiscalização da entidade.