Abalada, Iraíldes de Jesus diz que era muito amiga da filha: 'Não merecia'.Goiana, Amanda Bueno foi morta em casa, no RJ; suspeito confessou.

Amanda Bueno foi assassinada pelo noivo no RJ
Amanda Bueno morreu na tarde desta quinta-feira (Foto: Reprodução/Facebook) Mãe da dançarina goiana de funk Amanda Bueno, que foi assassinada no Rio de Janeiro, Iraíldes Maria de Jesus achava que tinha algo errado na relação da filha, de 29 anos, com o noivo, que confessou ter cometido o crime ao ser preso. No entanto, a mulher nunca imaginou que a filha pudesse ser assassinada.
“Jamais passava isso na minha cabeça, que um crime desse ia acontecer com a minha filha. Ela não merecia, ela não merecia. Eu sempre achei que alguma coisa errada tinha, mas ela nunca falou nada pra mim”, disse a mãe.
Amanda foi assassinada no último dia 16. Câmeras de segurança registraram o momento em que a dançarina foi agredida e morta pelo noivo, Milton Severiano Ribeiro, conhecido como Miltinho da Van. As imagens também mostraram a fuga do criminoso.
Horas antes de morrer, Amanda enviou mensagens para a mãe dizendo que iria voltar para Anápolis, a 55 km de Goiânia, onde a família mora. Na gravação de voz enviada por um aplicativo de celular, a dançarina disse: "Ô mãe, eu nem vou te falar o que aconteceu, mas eu tô (sic) indo embora. Mãe, por favor, não viaja que eu preciso chegar em casa e te dar um abraço".
Apesar da distância, Iraíldes conta que sempre conversava com a filha, pois eram “muito amigas”. “A convivência nossa era maravilhosa. Ela me chamava de boneca, de véia, de meu amor. Tudo que a gente fazia, a gente comunicava por telefone”, conta a mãe.
Depois da morte da dançarina, a família teve que mudar a rotina devido a uma ameaça feita contra a filha de Amanda, de 11 anos, nas redes sociais. “Um ser humano de verdade jamais ia fazer um comentário tão fútil igual fez com a minha neta. Ela só tem 11 anos”, lamenta a avó. A Polícia Civil investiga a ameaça.
Iraíldes espera que o assassino da filha seja condenado pelo crime. “Eu peço pra Deus fazer justiça. Eu não quero que fique impune o crime da minha filha igual a muitos que já aconteceram”, pede a mulher.
Advogado da família, Paulo Cesar Gonçalves da Silva afirma que trabalha para que Miltinho pegue pena máxima. “Nós vamos acompanhar a denúncia que o Ministério Público fará. Vamos olhar todos os elementos do inquérito policial, veremos exatamente essa denúncia, pra poder ver se está dentro daquilo que a gente imagina que seja ideal”, diz o advogado.
Mãe diz que nunca imaginou que Amanda Bueno pudesse ser assassinada, em Goiás (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera) 
Mãe não imaginava que filha pudesse ser assassinada pelo noivo
Morte da dançarina
O crime ocorreu na casa onde Amanda Bueno, 29 anos, morava com o noivo, na região da Posse, em Nova Iguaçu (RJ). Segundo a polícia, no vídeo que mostra o homicídio, é possível ver que Miltinho pegou a vítima pelo pescoço, bateu com a cabeça dela 11 vezes em uma pedra do jardim e deu 10 coronhadas na cabeça dela.
Em seguida, entrou em casa, vestiu o colete à prova de balas e se armou com um revólver, três pistolas e uma espingarda calibre 12. Ao passar pelo corpo, deu tiros com a pistola e com a espingarda no rosto da vítima.
Após a morte, Miltinho saiu, rendeu dois homens e roubou um carro, mas foi preso logo depois do crime, ao capotar durante fuga da polícia. Quatro armas, incluindo uma escopeta semelhante à que aparece no vídeo, foram encontradas no veículo.
Para o delegado Fábio Cardoso, da Divisão de Homicídios da Baixada, responsável pelas investigações, o crime pode ter sido motivado por ciúmes. Miltinho teria almoçado com uma ex-namorada que, no dia do crime, ligou para Amanda para provocá-la. A ligação teria gerado uma briga, e o noivo saiu de casa. Mais tarde, ele teria voltado cambaleando.
Miltinho da van foi preso (Foto: Cristina Boeckel/ G1) 
Miltinho da van confessou crime ao ser preso assassinato, segundo afirmou o advogado Hugo Assumpção. O defensor destacou que ele alegou ter sofrido um "surto" e que está arrependido do crime. Em depoimento, no entanto, ele se reservou o direito de ficar calado, conforme esclareceu o delegado Fábio Raboso.
A polícia ainda apura se o suspeito tem ligação com milícias na região da Baixada Fluminense. “Diante do que a gente viu nesse crime, verificando o poderio financeiro dele, com veículos muito caros, a posse de um verdadeiro arsenal, com armas de grosso calibre e farta munição. Somado ao fato dele estar envolvido com exploração do transporte clandestino na cidade e considerando essa violência desmedida com uma pessoa com quem ele vivia, tudo indica que ele pode ter envolvimento com grupos criminosos que atuam naquela região”, disse o delegado.